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NÃO TENHO AMIGOS

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Carta original:
Tenho 20 anos e desde que me conheço que sei que tenho um problema e já procurei ajuda que sinto que não está a resultar. Sinto uma enorme vontade de acabar com a minha vida cada vez que me confronto com situações adversas, não tenho amigos e fico em pânico com a possibilidade de ter de conviver ou falar com alguém. Quando era mais nova era gozada na escola pela minha timidez e aspecto físico, era a típica "crominha" da turma e chamavam-me de sonsa. E ainda hoje continua a ser assim - ando na faculdade e continuo a ser gozada e pouco apreciada pelos meus colegas. Na verdade, para além dos meus pais, nunca tive ninguém que gostasse de mim e por isso sou muito apegada a eles. Não sei se o meu problema se trata de uma simples depressão, mas a verdade é que isto afecta-me não só a mim como aos meus pais e estou desesperada. Quando penso que tudo acabará com a morte fico aliviada mas ao mesmo tempo sinto-me pressionada a ser feliz para não fazer sofrer os meus pais. Infelizmente, dou demasiada importância ao que os outros pensam de mim e passo a vida a pensar nas situações negativas (gozo, julgamentos de carácter, etc.) pelas quais passei. Preciso constantemente que me digam que gostam de mim e que me aprovem como pessoa para me aceitar a mim própria mas como isso quase nunca acontece estou sempre triste. Sinto que nunca vou ser feliz porque não me consigo desligar destes pensamentos. Acordo e adormeço desesperada sob um sufoco que se prolonga pelo dia todo e tenho momentos de muita irritação e choro (chego a sair das aulas para ir chorar para a casa de banho)... Não sei o que fazer, já cheguei ao extremo do egoísmo, porque só me consigo concentrar na minha tristeza e nas pessoas que não gostam de mim e que me tratam ou trataram mal... 
Ana Rita

ATAQUE CARDÍACO OU ATAQUE DE PÂNICO?

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Carta original: 
O meu caso é igual ao do Sr. Silva - sou lutador de jiu jitsu e não consigo treinar, nem fazer qualquer exercício, por medo de um ataque cardíaco. Já fui parar às urgências várias vezes e… nada - batimento cardíaco e pressão normais. Não consigo dormir e não sei o que fazer - a falta de ar é muito grande, sinto dor no peito, nas costas e na barriga, não consigo relaxar. Acho que o meu caso foi agravado porque fumava e parei abruptamente (não bebo nem uso outras drogas). Estou a tomar fluoxetina mas isto está a deixar-me esquisito. Ando nisto há quase três meses mas não deixei de trabalhar. É horrível, meço a pulsação a cada minuto. Há alguma alimentação que me possa ajudar? Se eu voltar a fumar (não quero) posso melhorar e parar de tomar remédios? O diazepam e a fluoxetina estão a deixar-me doido. Cheguei a tomar meio diazepam à noite mas acordava como se estivesse de "ressaca". Já não sei o que fazer. Há dois anos fui a um cardiologista e fiz provas de esforço físico - não deu absolutamente nada. Devo voltar ao cardiologista? Será que posso voltar a praticar exercício de forma leve? Isso ajudaria ou atrapalharia? Tenho 38 anos, 1m81, e 80 kg (tinha, já estou com 76). Há várias pessoas na minha família que já tiveram isto - avô, mãe, irmã, tios e primos.
Pedro

NAMORADO IMPULSIVO

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Carta original:

Tenho dificuldades em lidar com a impulsividade do meu namorado. Por mais que tente passar ao lado, ele tem atitudes que magoam... Percebo até que nem faça por mal porque, lá está, é impulsivo, nem pensa… Mas os mal-entendidos são constantes. Agora também começou a acontecer com a minha família. Ficaram de certo modo magoados por causa de uns comentários que ele fez. Isto porque para além de ser impulsivo parece que por vezes tem mesmo gosto em ser do contra. Depois, a forma como se expressa mais uma vez leva a mal-entendidos porque ele fala com tanta paixão, defende a sua opinião com tanta garra, que mais parece que está a discutir... Qual a melhor forma de lidar com esta situação?
Zita

FILHA DE PAIS DIVORCIADOS

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Carta original:

Tenho 18 anos e sou filha de pais divorciados desde os 9. Quando era mais nova pensava que o divórcio não me afectava, mas desde há um ano que sinto um certo desconforto. Não queria ter os meus pais juntos, pois eles não se entendiam. Dois anos depois do divórcio eles deixaram de se falar e eu tornei-me numa bola de ping-pong, um fala mal do outro quando estou presente e o contrário também se sucede. O meu pai tem um temperamento difícil; teve uma infância dura e hoje não fala com o pai nem com os irmãos; vive bem; não sabe lidar com os outros, quer tudo à maneira dele; A minha mãe não soube governar-se sozinha, tem um tecto e nunca lhe faltou alimentação, ainda assim não vive tão bem como o meu pai; Por vezes sinto-me desequilibrada, com a minha autoconfiança em baixo, muitas vezes não sei como agir, e tenho medo do que os outros pensem, sou muito tímida e não gosto, mudo de ideias muito facilmente e por vezes é difícil ser tolerante com os outros. Sinto que tenho uma vida complicada.
Diana

SALVAR O CASAMENTO

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Carta original:

Ando desde há algum tempo à procura de ajuda, por vezes penso que exagero (já cheguei a "consultar" tarot, mas que não foi nada positivo para o meu problema e que por isso ainda aumentou a minha preocupação). Estou casada há cerca de 11 anos e deste casamento temos dois filhos. Durante o namoro saímos muito, ele estava sempre a oferecer-me presentes, parecia não querer separar-se de mim. Com o casamento a situação alterou-se. Passou a sair sozinho com os amigos (em média 2 vezes por mês entre aniversários e festas.). No início ainda lhe pedia para ir com ele e ele justificava o facto de não o acompanhar dizendo que eram só colegas e que eu não me iria sentir bem. Isto aconteceu algumas vezes até que a dada altura me cansei de me chatear com isso. No entanto, nunca perdia a oportunidade, em altura de discussões, de lhe "atirar" isto à cara, dizendo-lhe que só saía com os amigos e com a esposa nunca se dava ao trabalho de sair. Nunca mais fomos a uma discoteca ou ao cinema juntos. Com o nascimento dos filhos a minha atenção virou-se mais para eles, até porque o meu marido sempre foi um pai ausente, por motivos profissionais, e quando podia estar com eles arranjava sempre algo para fazer (chegou a confessar que por vezes vinha mais tarde para casa - quando já estava tudo a dormir - para não se chatear). Em público nunca foi pessoa de muitos afectos (salvo durante o namoro), mas em casa a situação alterava-se. Confesso que no início, e como eu não estava habituada, o reprimi um bocado, o que originou um certo afastamento. No início do casamento os problemas surgiram mas devido à proximidade dos pais dele. A minha sogra sempre se meteu muito na nossa vida, mais comigo do que com o filho, pois ele não lhe dava muita importância. Ela queria assegurar-se de que o filho não sairia das asas dela. Alguns anos após o casamento consegui convencê-lo a comprarmos casa. Felizmente para mim, o meu marido sempre separou muito bem as "águas" mostrando à mãe que eu sou mulher dele e mãe dos seus netos e que por isso "mando" mais do que ela. Estas divergências acabaram também por influenciar os primeiros anos de casamento e não são raras as discussões que não acabem a falarmos das nossas famílias, o que acaba por magoar-nos. O casamento foi-se mantendo com algumas crises ultrapassadas com maior ou menor dificuldade. O maior problema surgiu quando eu tive a possibilidade de ingressar numa carreira que me dava mais motivação, mais dinheiro, mais realização profissional. No início foi mais fácil pois fiquei por casa. Passados cerca de 3 anos tive que me deslocar (por causa deste trabalho) para mais de 300 Kms de casa, na perspectiva de que após 3 ou 4 anos regressasse a casa. Durante estes primeiros anos falámos da possibilidade de ele ir comigo, situação a que não se opôs. Também não lhe ocultei o facto de querer levar os filhos comigo. Os problemas começaram a agudizar-se logo 1 mês depois de começar a ausentar-me durante a semana (aos fins-de-semana sempre fui a casa, quando os nossos filhos estavam doentes era eu quem os levava ao médico, era eu que falava com a professora - apesar de distante fisicamente sempre estive muito próxima deles). Ele disse que não sabia se iria aguentar a situação, pois iríamos perder muito como casal, que tinha medo de não me conseguir perdoar por lhe ter desfeito um sonho e pensando no dia em que os filhos iriam comigo seria muito pior. Realmente, ele chamou-me a atenção para o que está a suceder agora. Durante o ano passado as nossas conversas acabavam quase sempre em discussão, no entanto, a nossa intimidade sempre esteve salvaguardada. Confesso que não é nada fácil lidar com esta situação, pois os ciúmes acabam por ser muito maiores, e quando nos vêm dizer que o nosso marido anda envolvido com outra, apesar de nunca terem visto nada (pois apenas tomavam café, fumavam juntos e iam às festas de trabalho juntos), o certo é que me fez vacilar. Confrontei-o com esta situação e ele sempre me negou este envolvimento, mas o certo é que depois da ida dos nossos filhos para junto de mim ele tornou-se mais distante. Já há muito não o ouço dizer que me ama, que ainda gosta de mim, e esta incerteza tem-me minado por dentro. Há cerca de 2/3 meses começámos a dialogar normalmente. Ele diz-me que sabe que está a fazer-me sofrer, que inconscientemente me culpa pela distância, mas que conscientemente sabe que eu fiz a melhor opção e me irá apoiar sempre nesta minha decisão de mudar de vida. Inicialmente ainda se colocou a hipótese de ele deslocar-se também para onde estou a trabalhar, mas depressa abandonou essa hipótese e neste momento, não quer falar sobre esta situação. Tenho lido e falado com algumas pessoas que me tentaram ver a situação pelos dois pontos de vista. Sempre lhe disse que compreendia e aceitava o que ele estava a passar, mas que estava já a chegar ao meu limite, pois quando fala comigo é sempre com "sete pedras na mão". Já há muito que não tem um carinho para comigo, apesar de demonstrar preocupação. O problema, penso eu, é que não se consegue abstrair da ausência dos filhos, e ao fim-de-semana "vive" para os filhos e não quer saber de mim. Diz-me que eu também mudei, pois estou muito mais exigente na forma como nós estamos do que anteriormente. Já lhe justifiquei que mudei, mudei sim, pois as saudades durante a semana são tantas que ao fim-de-semana tento conjugar todas as forças para investir na relação e na família. Há um tempo atrás pediu-me mais espaço, pois eu queria sempre a sua atenção, não o deixando estar sozinho com os filhos. Entendi a situação e agora estou a dar-lhe mais espaço. Tudo isto para enquadrar o problema. Agora fala em separação. Diz-me que não sabe se consegue ultrapassar esta fase, que está a ser muito difícil para ele, que sabe que me magoa, mas não consegue agir de outro modo e que se soubesse que seríamos todos muito mais felizes separados não tinha dúvidas nenhumas. Não o consigo fazer abrir-se para mim. Já o questionei se ainda gostava de mim o suficiente para tentar recuperar o que ainda pode ser recuperado e ele responde-me que não sabe se será já tarde de mais. Já ponderei a hipótese de os nossos filhos regressarem para junto do meu marido, pois eu aguentei muito melhor a separação do que ele, mas ele diz-me que neste momento não tem tempo para eles (pois a sua vida profissional não lhe permite). O discurso dele, por vezes, é contraditório. Já tentei que ele aceitasse a ida a uma consulta de terapia conjugal, mas ele recusa-se. Neste momento, estou a tentar dar-lhe espaço mas por vezes sinto-me colocada de lado, pois acho que os filhos têm todo o direito de estar com os dois pais ao mesmo tempo. Ele muito dificilmente se abre comigo (é o problema de os homens falarem dos seus próprios sentimentos?!...). Tenho-lhe dito constantemente que o amo, que quero lutar pelo casamento, pois acho que ainda há muito que fazer, mas não consigo obter nenhuma resposta da parte dele. Eu sei que ele está magoado comigo e com o mundo, que ainda não aceitou a nossa separação física, a separação dos filhos, que a cabeça dele também ainda não encontrou qualquer resposta. Sei que ele está muito confuso. Gostaria de o ajudar, já tentámos conversar para encontrar alguma solução mas nunca conseguimos. Já não sei o que fazer. O que posso fazer para o ajudar a superar esta situação e ajudá-lo a descobrir o que quer para a sua vida, para a vida dos filhos e para a nossa vida?
Catarina

QUERO O DIVÓRCIO

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Carta original:

Estou casada há 15 anos (após um Namoro de 10) e tenho um filho com 14. Sinto que ele se está a transformar numa pessoa que não reconheço e com quem todas as hipóteses de diálogo estão esgotadas. Não houve infidelidades ou outros problemas de maior, apenas um copo que encheu. Estou a dar um prazo a mim mesma para ter a certeza mas parece-me que a decisão é irreversível - quero o divórcio. Ao fim de 25 anos com esta pessoa, ridiculamente, não sei como iniciar a conversa (quero dizer-lhe primeiro, sem jogos de bastidores nem consultas a advogados prévias e esperar que consigamos resolver tudo com lealdade).
Rita

TRANSTORNO ANSIOSO

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Carta original:
Estou a pedir ajuda para uma situação que me está a limitar. Desde há quase 1 ano que sinto uma pressão enorme na cabeça, como se tivesse um capacete. Contactei a médica de família e, por ter casos de tumores no cérebro em familiares, a médica sugeriu um TAC. Ao fazer o TAC senti-me pior - aqueles minutos foram desconfortáveis com a sensação mais presente. Após receber o resultado do exame, que mostrou que estava tudo bem (graças a Deus) senti um grande alívio e tentei descontrair. Tenho descansado mais, apesar de por vezes dormir mal, com ataques de pânico que me acordam assustada, assim como pesadelos frequentes que me parecem tão reais. Ultimamente a pressão que sentia está atenuada mas surgiu um outro sintoma, o pulsar do coração como se estivesse no cérebro. É uma sensação que aparece várias vezes ao dia e me transtorna tanto na concentração como na visão. Peço a sua ajuda para saber se devo consultar um psicólogo ou um neurologista. Quero acrescentar que tenho 36 anos, sou mãe de duas meninas (de 7 e 11 anos), sofri um aborto espontâneo há 1 ano, sinto-me infeliz no casamento, há atritos familiares, e desde que as minhas filhas nasceram que me tenho dedicado à família.
Maria

NAMORADO COM DEPRESSÃO?

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Carta original:

O meu namorado entrou na universidade num curso que é bastante exigente, mas onde sei (e vejo) que ele tem imenso talento e criatividade. Como a instituição é privada, ele viu-se obrigado a continuar a trabalhar por turnos numa fábrica para poder pagar a mensalidade. O problema é que essa fábrica situa-se na nossa terra natal (a uma hora de viagem da universidade) e, muitas vezes, ele passa noites acordado a tentar terminar os trabalhos práticos da faculdade. Embora eu ache que a quantidade de trabalhos que a faculdade envia por dia/semana é exagerada, a verdade é que ajudava muito se ele estivesse a morar na cidade universitária, como os estudantes fazem. O problema é que ele insiste que, assim, teria que pagar alojamento e mensalidade, e que não teria dinheiro para isso só com um part-time. Recentemente, entregou um trabalho para o qual se esforçou imenso (e que eu, embora seja suspeita, confesso que estava mesmo muito bom!), mas o professor criticou o trabalho em questão. A partir daí, o meu namorado ficou triste, deprimido, cabisbaixo, pessimista e sem vontade para nada. Como a mãe dele teve uma grande depressão há uns anos, (estando eu a estudar Psicologia) sei que esse antecedente ainda contribui mais para uma possível depressão dele, uma vez que ainda há o stress, a grande pressão na universidade e no trabalho, o esforço físico, o cansaço e a falta de horas bem dormidas. Não sei o que fazer para ajudá-lo, e queria evitar que esta situação se tornasse realmente em doença. O que me aconselha?
Joana

ANSIEDADE GENERALIZADA

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Carta original:

Ultimamente tenho sofrido bastante com a ansiedade. Tenho frequentemente medo de doenças, tenho uma sensação de um caroço na garganta há quase dois anos. Já fui ao médico várias vezes, dizem que eu não tenho nada mas quando engulo saliva sinto algo. É terrível, parece que a vida parou, não consigo desligar-me destes pensamentos… Há dias fui ao médico e não aguentei, desmoronei, até chorei e não é fácil um homem de 35 anos chorar. Ele receitou fluoxetina, que estou a tomar de manhã mas está difícil viver assim com esta angústia. Estou desesperado, não sei o que possa fazer.
Pedro

DISMORFOFOBIA – PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA COM A IMAGEM

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Carta original:

Tenho 19 anos e tenho problemas por causa da minha aparência. Desde pequeno que tenho bastantes sinais que são herança genética do meu pai mas nunca lhes dei muita importância. Por volta dos 16 anos comecei a sentir-me mal e hoje nem ao espelho me vejo para não ter que ver a minha cara e o meu corpo. Aos 18 anos a situação ficou mais grave, sentia-me bastante mal, comecei a andar bastante irritado, respondia mal a toda a gente, principalmente em casa. Não havia 1 dia em que eu me sentisse bem, não conseguia olhar para as pessoas nos olhos, deixei de ser a pessoa que era e comecei a ser mais arrogante. Durante o verão tinha estágio, que não consegui acabar. Desisti porque me custava sair à rua de dia, estar rodeado de pessoas e estar sempre a comparar-me com elas. Chegava à noite e ficava no meu quarto a chorar durante horas, não sabia o que havia de fazer. Até que o meu pai me levou ao médico e ele me receitou uns comprimidos que não deram em nada. Às vezes penso “será que estou a ser injusto em dar tanta importância à minha aparência e aos meus sinais?”. Mas depois vejo pessoas com muito menos sinais que eu que fazem cirurgias para os remover e pessoas que apenas têm uma borbulha ou duas na cara e fazem daquilo um bicho-de-sete-cabeças, quem me dera a mim ser como eles.
André

PAIXÃO INTERROMPIDA

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Carta original:

Chamo-me Paulo tenho 47 anos e gostava de partilhar este pesadelo com alguém que está habituado a este tipo de situações. Conheci a Luísa em 91, já eu era casado, envolvemo-nos emocionalmente, foi uma paixão com uma carga elevada. Nessa altura a minha mulher ficou grávida e tudo terminou radicalmente. Estivemos 17 anos sem nos vermos e falámos ao telefone 4 ou 5 vezes. Em 2008 a Luísa telefonou-me e daí surgiu uma troca de e-mails acabando por nos encontrarmos. Quando nos vimos foi como se nos tivéssemos separado há uma semana. Chegámos à conclusão que os nossos casamentos estavam no fim. Em 2 anos, com grande esforço, demos a volta à nossa vida, divorciámo-nos e tudo indicava que o nosso projecto de viver juntos fosse real. Não contámos com a reacção da filha dela que tem 10 anos. Tudo se complicou, a filha fez de mim um alvo a abater. Sem solução e com opções limitadas, não tivemos outra opção senão acabarmos com um sonho e a vida de duas pessoas que se amavam acabou num estalar de dedos. Foi brutal. Andei com uma depressão, de momento já estou em recuperação, tenho que olhar em frente e seguir a minha vida.
Paulo

DESESPERADO

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Carta original:

Acho que foi por acaso que entrei no seu blogue pois estava à procura de um site que me mostrasse como me matar sem dor! Sim, há muito tempo que penso nisso. Sinto-me sem rumo. Nunca consegui parar num emprego certo. Sou ilustrador mas nunca me consegui realizar nessa profissão. Namoro há dois anos mas a minha namorada ameaçou abandonar-me dizendo que sou um preguiçoso! Cheguei ao meu limite. Se não há um Deus, então por que hei-de prolongar este sofrimento?! Desculpe se pareço dramático. Não sou disso mas sinto-me realmente perdido!
Emerson

PAIS SEPARADOS

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Carta original:
Tenho uma menina com um ano... O pai dela foi para casa dos pais por desentendimentos com a minha família. Queríamos muito arranjar uma casa mas não temos possibilidades, por isso estamos separados. Só estamos juntos ao fim-de-semana e eu tenho vindo a descobrir que ele marca encontros com outras raparigas. Não sei o que fazer, estou e entrar em depressão. Ele nega tudo mas eu vi as mensagens no telemóvel dele. O que faço? Estou desesperada.
Tânia

SOU INSEGURA

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Carta original:
Tenho 22 anos e ultimamente tenho reflectido muito sobre a minha vida, apercebendo-me de que nunca fui feliz porque tenho uma auto-estima baixa, sou insegura, solitária e ansiosa. Sinto que nunca aproveitei bem a minha vida porque dentro de mim existe sempre um conflito constante: sei que tenho algum problema mas não consigo alterá-lo, pois ninguém sabe o que verdadeiramente se passa comigo, e como tal não tenho qualquer apoio quando arranjo desculpas para desistir de procurar ajuda profissional. A razão de desistir? Não sei ao certo, mas confesso que estou a chegar ao meu limite, dado que já tive várias depressões (apenas uma delas diagnosticada, tratada com antidepressivos mas sem psicoterapia) e sofri sempre em silêncio. Há poucos meses tive outro episódio depressivo (se é que assim lhe posso chamar), e com muita vergonha admito que ao longo da vida, pontualmente, pensei que se morresse seria melhor, mais fácil. É-me difícil admitir tudo isto, porque sinto vergonha perante mim própria (imagine-se perante os outros), sinto-me fraca - não acho que tenha razões para ter baixa auto-estima ou ser insegura; pelo contrário, sou uma rapariga bonita e inteligente. Este padrão de comportamento persegue-me, numa ou outra medida, desde a infância. Recordo- me de ser muito insegura e dependente, e não sei a razão, pois os meus pais, apesar de a maior parte da sua vida conjugal ter sido muito conturbada, sempre me deram muito amor. E o resultado de tudo isso é o que se pode esperar de pessoas mal resolvidas: nunca tive grandes amizades, sou tímida e insegura, o meu primeiro relacionamento foi um falhanço total já que o meu primeiro amor era emocionalmente/psicologicamente (e, por vezes, fisicamente) abusivo. Hoje tenho um namorado muito calmo, carinhoso, que gosta muito de mim e tem muita paciência comigo. Mas eu sou fonte de conflito neste relacionamento, agindo muitas vezes tal como um dos meus pais agia no casamento, e tal como o meu ex-namorado agia para comigo. Sempre fui bem-sucedida nos estudos, apesar de ter altos e baixos devido a esta instabilidade emocional. Hoje estou a tirar um curso superior e não sou tão bem-sucedida quanto antes, e sei que poderia ser melhor se não fosse esta insegurança! Tenho medo porque sei que estou a prejudicar a minha vida no presente, e que isto se irá projectar no meu futuro... Não sei a razão de tudo isto, gostaria de acreditar que esta não é a minha personalidade, que não nasci para ser infeliz, e que eu consigo mudar, porque continuando desta maneira, tenho a certeza de que nunca serei feliz.
Marisa

DEPRESSÃO PÓS-PARTO NÃO TRATADA

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Carta original:
Fiz uma depressão pós-parto há cinco anos, voltei a ser mãe há um ano e sinto que esta nunca ficou bem resolvida, não com o filho mais novo mas sim com o mais velho. Os sintomas estão mais atenuados mas na realidade estão aqui. Na altura fiz acupunctura e tomei um antidepressivo natural, tentei psiquiatria mas não correu bem. Estou super cansada e consciente de tudo.
Manuela

TRAIÇÃO COM COLEGA DE TRABALHO

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Carta original:

Tenho 27 anos e estou com o meu marido há 13 anos, estando casada há 7 anos. Há cerca de 6 meses comecei a desconfiar que ele mantinha uma relação com uma colega de trabalho pois sempre que eu ia ao computador e ao telemóvel dele (empresa e particular) estava sempre lá o nome dela. Confrontei-o diversas vezes e ele sempre negou. Comecei a sentir-me deprimida com o afastamento dele e só discutíamos. Fui à minha médica, que me conhece desde criança, que ao ver- me assim alterada prescreveu-me antidepressivos e, como eu não dormia, comprimidos para dormir. Há cerca de duas semanas descobri que afinal sempre tinha razão pois encontrei gravadas no computador dele diversas conversas com a tal colega onde falavam de sexo e que no final ele dizia que a amava. Confrontei-o e ele disse-me que não sabia porque tinha acontecido aquilo. Começou por falar com ela sobre os problemas do trabalho e posteriormente os do nosso casamento. Disse que ela o ouvia sem criticar ou discutir e que uma coisa levou à outra. Que nunca teve sentimentos por ela e que trocaram apenas um breve beijo. Sinto-me magoada, traída, pois aquilo que eu mais amava nele era a sua honestidade. Estamos juntos mas não o consigo perdoar. Ando fisicamente doente com toda esta situação. Descobri ontem que ela tinha criado um e-mail para ele falar com ela com o nome dos dois, de forma a não serem apanhados. Ele diz que era tudo inocente e que não considerou as consequências daquilo que estava a fazer. Eu quero acreditar nele pois nunca o vi tão abatido, com tanta dor na cara e nós já passámos por muito juntos. Acredito que tenha sido mesmo como ele diz mas não consigo esquecer ou ultrapassar. Continuo desconfiada e muitas vezes acordo a meio da noite sem conseguir respirar com uma imensa dor e pressão no peito. O que acha doutora? Fiz bem em decidir continuar com o nosso casamento? Eu ainda o amo muito, sei que não consigo viver sem ele, temos dois filhos juntos, mas por outro lado sinto-me idiota em dar o meu coração novamente para ele o magoar.
Rafaela

DESILUDIDA COM A VIDA

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Carta original:

E o que fazemos quando se teve uma vida muito complicada como criança e jovem mulher e depois se trabalhou arduamente, mesmo que isso implicasse deixar de ver a filha o suficiente, para mais tarde nos "cortarem" a profissão, nos porem a fazer um trabalho que odiamos, e um dia ver a nossa filha em coma (recuperou felizmente), ter um processo disciplinar por faltas dessa altura, ficar com fibromialgia, ver o nosso corpo transformar-se num monstro, e acabar por ser um "boneco" nas mãos de uma entidade patronal, ao ponto de preferir fazer um acordo e sair, mesmo sabendo que nunca mais vou ter outro emprego...  A Vida não presta, nunca prestou. Com 51 anos já ninguém me quer para trabalhar, muito menos naquilo que eu gostava e sabia fazer...  A minha vida dava um conto, costuma-se dizer... Pois até que dava, um e com laivos de terror...
Marisa

ANDAR COM UM HOMEM CASADO

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Tenho 25 anos e sinto que estou a morrer a cada dia que passa! Vivi cerca de 3 anos com um homem estupendo a todos os níveis e que, acima de tudo, me amava incondicionalmente, no entanto, nunca me senti verdadeiramente apaixonada por ele e no que respeitava a relações sexuais eram quase inexistentes porque eu não tinha qualquer desejo por ele. A certa altura conheci um colega de trabalho e desde a primeira vez que o vi fiquei completamente fascinada por ele. Ia para casa a pensar nele, voltava para o trabalho a pensar nele... Enfim, tudo se começou a resumir a ele até que fui fazendo "investidas" demonstrando assim o meu interesse. Um dia, num jantar de colegas de trabalho, envolvemo-nos e começámos então com encontros regulares (ele também mantinha uma relação já de algum tempo com outra pessoa). Com o tempo vi que não estava a aguentar viver numa mentira e decidi sair de casa, abdiquei de toda uma vida de luxo e de um homem que gostava verdadeiramente de mim e fui viver sozinha. Fi-lo também para poder viver em plenitude esta relação. A partir daí os encontros passaram a ser muito mais regulares, quase todos os dias, porque ele tem a casa oficial no Norte e trabalha comigo em Lisboa, e só vai a casa aos fins-de-semana. Já passou um ano e as coisas continuam na mesma, ou seja, passa a semana inteira a dormir comigo, a fazer programas comigo, a levar-me a jantar fora etc., divertimo-nos imenso e passamos momentos verdadeiramente inesquecíveis. O problema é que eu já não consigo viver nesta situação por muito mais tempo. Amo-o demais para ser a outra, a minha vida resume-se a ele e quando chegam os fins-de-semana é como se fosse morrendo aos poucos porque sei que está com outra e está provavelmente a fazer-lhe aquilo que me faz a mim durante a semana. Já falámos diversas vezes sobre o assunto. Ele diz-me que gosta imenso de mim, como sou a mulher mais bonita com que alguma vez já esteve, como sou a primeira mulher a dar-lhe o sexo mais fantástico da vida dele, como adora estar comigo, como pensa em mim nos fins-de-semana, etc., mas quando chega a parte em que lhe digo que as coisas não podem continuar assim e ele tem de escolher, ele escolhe sempre o querer acabar a relação que tem comigo porque sabe o quanto me está a fazer sofrer e diz também que não suporta ver-me na depressão em que me encontro. Confronto-o muitas vezes com isso e pergunto-lhe como é que é tão fácil para ele abdicar de mim, no entanto, ele diz que não é fácil e que eu não faço ideia de como lhe custa fazer isso. Na verdade, cada vez que falamos disto ele acaba também por chorar, depois eu digo que vou pôr um fim a isto e ele diz que é o melhor, começa a ir embora e eu acabo por nunca deixar; corro sempre atrás dele peço-lhe para ficar novamente e as coisas voltam sempre ao mesmo. Falamos algumas vezes da relação que ele mantêm com a outra e as coisas que ele diz a esse respeito são sempre más, então eu confronto-o perguntando se é tudo mau porque é que ele não fica comigo mas ele nunca sabe o que dizer. Pergunto-lhe porque está comigo e acaba sempre por me dizer que é por nunca ter conhecido alguém tão especial como eu. Como nunca acredito digo-lhe que me pode dizer a verdade e confronto-o dizendo que está comigo só por causa do sexo e quando digo isto ele fica completamente ofendido, diz que se quisesse sexo tinha em outros lados e diz que para ele chega desfrutar da minha companhia, diz que chegam-lhe os carinhos que fazemos um ao outro e que não precisamos de fazer sempre sexo (embora façamos todos os dias). Diz que tem um sentimento muito grande por mim. Não tenho forças para deixá-lo, no entanto, sinto que também já não tenho forças para continuar assim... Nunca acredito em nada do que me diz, penso que está sempre a mentir, passo a vida a ver o telemóvel dele às escondidas. Ando a ficar louca com isto porque faço filmes na minha cabeça e nunca são a meu favor. Sinto que a traição é comigo porque na minha cabeça é quase como se eu fosse a legítima porque sem dúvida neste último ano ele passou todas as semanas comigo enquanto que com ela só partilhou alguns fins-de-semana. Não sei como ultrapassar isto, só sei que não durmo, não como, não saio com ninguém, passo a vida a olhar o telemóvel porque dependo de uma mensagem dele para começar o meu dia, passo o dia a tentar saber onde está, com quem, a fazer o quê.., Sinto que estou obcecada por ele.., E não sei o que este homem quer de mim nem tão pouco como consegue manter estas duas relações já há tanto tempo.
A.

Quase todas as pessoas ambicionam encontrar alguém por quem se apaixonem e com quem se sintam seguras para viver a dois. Não raras vezes, cruzamo-nos com pessoas que consideramos estupendas e que mostram que gostam de nós de forma genuína, mas o facto de não sentirmos o mesmo amor leva-nos a deixá-las para trás. A isto também chamo inteligência emocional, na medida em que não faz sentido mantermos uma relação com alguém que acarinhamos mas que jamais amaremos no sentido romântico. Mas se isto é verdade, também não faz sentido que mantenhamos uma relação com alguém que mostre que não nos merece e/ou que não investe na relação na medida em que gostaríamos.

Não posso fazer quaisquer conjecturas acerca do que o seu companheiro sente por si e muito menos me passaria pela cabeça ajuizar sobre o sofrimento dele nesta situação, mas posso e creio que devo chamar a sua atenção para algo que me parece óbvio: a leitora está a dar muito mais do que recebe. Apesar de esta não ser uma situação confortável para si, o seu companheiro tem sido muito claro no que diz respeito à importância que a leitora ocupa na vida dele. Repare que apesar dos momentos positivos que têm vivido a escolha dele está feita - o seu companheiro não concebe, de todo, a possibilidade de ficar ao seu lado, deixando a mulher que tem no Norte.

Ainda que a vossa relação não seja exclusivamente marcada pela intimidade sexual, a verdade é que esta é provavelmente a grande mais-valia da relação aos olhos da pessoa que ama. De resto, está claro para mim que a leitora não está a receber aquilo de que precisa para se sentir feliz, segura, e isso estará a afectar a sua auto-estima. O facto de se sujeitar a viver numa relação em que é "a outra" pode estar relacionado com fragilidades antigas que podem e devem ser alvo de análise cuidada. A leitora é demasiado nova para se acomodar a uma situação em que é claramente desrespeitada e prejudicada. Bem sei que lhe é difícil romper uma relação com a pessoa por quem, apesar de tudo, se sente apaixonada, mas é tempo de pensar verdadeiramente em si, nas suas opções e naquilo de que precisa para ser feliz. Não sendo fácil dar estes passos sozinha, peça ajuda especializada. Um psicólogo experiente ajudá-la-á a gerir melhor as suas emoções.

DAR UM TEMPO

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Tenho 28 anos e terminei muito recentemente uma relação de 9 anos, em 5 dos quais vivemos juntos. Eu e o meu namorado sempre nos demos bem, tirámos o curso juntos e desde então a procura por trabalho é constante, mas é muito difícil. Eu já comecei a trabalhar e ele não. Quando isso aconteceu os problemas entre nós agravaram-se e o terminar e recomeçar a relação foi constante. Eu sempre lutei muito pela nossa relação, para que desse certo, mas da parte dele não sentia isso, sentia que ele deixava andar e me tomava como garantida. Recentemente com um novo término da relação ele ficou sem me falar alguns dias, e quando veio ter comigo eu disse que estava terminado. Ele disse que não podia ser, que me ama muito e que só agora percebeu o que estava a perder... Eu estou baralhada, pois sinto que o que sentia por ele já não é o mesmo... Já não o amo com a mesma intensidade... Desta forma, pedi-lhe para darmos um tempo na nossa relação pois eu preciso de ter a certeza dos meus sentimentos. Neste momento a minha principal preocupação é se ele está bem, se está a sofrer, se o estou a magoar... Não consigo deixar de pensar nisso, nem nele, mas sinto que neste momento é o mais correcto a fazer. Porém, estou com medo de este tempo me afastar ainda mais ao ponto de acabar com o que ainda sinto por ele. Estou tão desorientada... Já nem sei se o que fiz foi bem ou mal.
M.

Todas as relações amorosas incluem ciclos, períodos de maior proximidade e períodos de maior afastamento. Ao fim de 7, 8 ou 9 anos de relação, é natural que a leitora e o seu namorado já tenham passado a fase de enamoramento e que também já tenham tido oportunidade de aceder aos defeitos e fragilidades de cada um, já tenham divergido e negociado em relação a inúmeras matérias. Mas isso não quer dizer que possam tomar o outro como garantido e muito menos que não haja mais negociações pela frente. Pelo que me é dado a perceber, o facto de terem passado para uma nova etapa em termos profissionais terá desencadeado algumas "lutas de poder" que não foram bem resolvidas. A leitora ter-se-á queixado, terá dado a conhecer a sua insatisfação e as suas reivindicações e o seu namorado não terá sido capaz de corresponder, daí que se sinta mais distante e porventura desapontada. É por isso que os seus sentimentos e a sua ligação ao seu namorado não são tão intensos. Parece-me claro que ainda gosta do seu namorado, até porque os afectos não desaparecem da noite para o dia, mas é possível que esses sentimentos digam respeito ao carinho e à preocupação com o bem-estar com a pessoa com quem viveu boa parte da sua vida adulta. Tanto quanto me é dado a perceber, este afastamento físico pode implicar a agudização do fosso emocional, sim, mas também pode servir para que cada um discirna sobre o que sente e possam, assim, tomar decisões ponderadas, sem pressão. Reaproximar-se do seu namorado pelas razões erradas (acomodação ou pena, por exemplo) fá-los-á infelizes, pelo que não deve sentir-se embaraçada por precisar de tempo/espaço para organizar o seu coração.

VIOLÊNCIA EMOCIONAL

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A minha irmã mais nova tem um namorado que nunca a respeitou e que a faz profundamente infeliz. Ela acabou recentemente com ele e nesse período acabou por admitir tudo o que ele fez e como se sentia muito infeliz. Contudo, os meus piores receios concretizaram-se e ela acabou por ceder à conversa dele e retomaram o namoro. Não sei o que fazer. Sei que a vida é dela mas sofro imenso ao vê-la deixar-se levar por uma pessoa que a controla, que é extremamente possessivo, ciumento e que pratica violência psicológica sobre ela, dizendo-lhe que ela não vale nada e chamando-a de vários nomes pejorativos. Gostava de a poder ajudar a libertar-se desse relacionamento mas o pior é que não sei como o fazer. Espero que me consiga ajudar.
M.

Tenho de começar por louvar o seu discernimento e a sua preocupação em relação ao bem-estar da sua irmã. As situações de violência psicológica são, infelizmente, muito mascaráveis e, na maioria das vezes, os familiares e amigos só se apercebem da gravidade do problema aquando de uma ruptura. Presumo que se tenha sentido aflita com as humilhações a que a sua irmã foi submetida e com os estragos que estes episódios estarão a produzir na sua auto-estima. Ora, é precisamente por aí que deve começar a sua ajuda, isto é, pela manifestação clara da sua tristeza, da sua aflição. Apesar da nobreza das suas intenções, é relativamente fácil criar-se equívocos de comunicação em que a sua irmã pode sentir-se atacada e até olhar para as suas chamadas de atenção como desproporcionais e injustas. Não sendo fácil definir uma fronteira clara entre a crítica e a sincera preocupação, sugiro que mostre tão bem como puder os seus afectos e a sua tristeza, ao mesmo tempo que deixe claro o seu respeito pela sua irmã e a vontade de a ver feliz.

Estas situações resvalam com relativa facilidade para ciclos viciosos em que a vítima da violência emocional se sente infeliz e fragilizada mas ao mesmo tempo dependente em termos afectivos do agressor, pelo que é importante que ajude a sua irmã a fugir ao isolamento social. O convívio com outras pessoas e a realização de actividades que fomentem a sua auto-estima ajudá-la-ão a recuperar algum discernimento, que é essencial à tomada de decisões saudáveis.

Finalmente, importa que a sua irmã saiba que a leitora a ama e apoia incondicionalmente e que vai estar sempre lá para ela. Mostre-lhe, por exemplo, que enquanto irmã mais velha é uma fonte de afectos, mas também uma possível fonte de aconselhamento e de orientação. Mesmo que a sua irmã não esteja para já receptiva à sua ajuda, o facto de a leitora se mostrar disponível funcionará como um porto de abrigo fundamental.